A Canção de Aço e Luz

Nunca uma sem a outra...

Nos dias primeiros, cinco deuses primordiais se uniram em uma criação sem igual. Não por vaidade, mas por consenso sagrado — pois naquele tempo, as forças do mundo estavam em desequilíbrio constante: a justiça era tardia, o mal não era punido, e os mortais eram deixados à mercê do próprio caos.

Foi então, na reunião das cinco vontades divinas — Opaa, Aadilá, Raana, Haator e Aaneara — que nasceu a ideia de um exército singular: feito de carne imortal, espírito obediente e coração incendiado pelo dever. Não seriam criaturas apenas para observar. Seriam para intervir, guerrear, decidir, sangrar, se necessário.

Assim surgiram as Valquírias.

As primeiras Valquírias não nasceram, nem brotaram de solo encantado. Foram tecidas com a essência pura dos deuses, formadas primeiro por Raana, mas ainda assim planejadas à mão e alma por todos os Cinco. Cada traço, cada músculo, cada célula imbuida com o poder dos próprios criadores.

  • Haator deu-lhes a força e a honra da guerra.

  • Aadilá, o domínio sobre os espíritos e os mortos.

  • Opaa, o discernimento para julgar sem hesitação.

  • Aaneara, a imortalidade pelo tempo.

  • Raana, o dom da continuidade — o ventre fértil que lhes permitiria perpetuar-se.

As Originais eram centenas, uma irmandade imortal que vagava entre as eras. Elas marchavam nas guerras dos mortais, faziam cair reis tiranos e selavam pactos com sangue. Onde houvesse injustiça extrema, uma Valquíria surgia — e jamais partia sem fazer pender a balança.

Mas nem mesmo os feitos das forjadas escaparam do preço do tempo.

Séculos se passaram, e muitas Originais tombaram em guerras contra demônios primordiais, anjos rebeldes, vampiros, lobos e semideuses. Algumas pereceram ao confrontar horrores de eras esquecidas. Outras se perderam na vastidão dos planos, ou se desfizeram ao proteger o divino.

O Dom de Raana – As Nascidas

Antes da sétima era, Raana olhou para as Valquírias e viu nelas o que nenhuma outra criação divina possuía e contra a vontade de alguns dos seus irmãos, ela tocou suas filhas com o dom da fertilidade. A partir de então, uma Valquíria poderia gerar outra — não por simples desejo, mas por laço, devoção e sacralidade. Sendo assim a primeira e única criação a poder se reproduzir sexualmente sem a presença de um macho.

Essas novas Valquírias, eram chamadas de Nascidas. Uma continuidade da grandeza das Originais, herdeiras do sangue sagrado, mas privadas da centelha criadora dos cinco.

Ainda assim, cresciam fortes. Mais humanas, mais sensíveis, mais adaptáveis. Mas também mais vulneráveis.

  • Algumas vinham de uniões entre Valquírias e mortais; outras, de laços entre Valquírias.

  • Nenhuma Nascida ultrapassava os 3.000 anos. Elas envelheciam lentamente, mas envelheciam.

A Fratura e o Fardo da Eternidade

Com o declínio das Originais, coube às Nascidas manter o legado. Mas nem todas o faziam de bom grado.

Algumas começaram a questionar o peso da missão. Outras se isolaram, tomaram castelos e passaram a ser adoradas como deusas menores. Houve mesmo quem rompesse os juramentos sagrados de uma valquíria nunca se voltar contra a outra, levando à primeira Guerra entre Irmãs. 

A paz só foi restaurada quando Diana, uma das sete Valquírias Originais sobreviventes, impôs a "Lei do Elo": nenhuma Valquíria — Original ou Nascida — poderia se afastar da missão sem antes garantir outra em seu lugar. A linhagem deveria se manter.

Muitas aceitaram. Algumas fugiram. Outras, como Maarceline, tentaram encontrar formas alternativas de preservar o equilíbrio, mesmo que isso significasse unir-se aos horrores do inferno.